Certa feita nos idos de 2002 quando estava de passagem por Entremontes, cidade Ribeirinha do São Francisco que fica no lado alagoano do rio, uma das diversas artesãs (bordadeira) que ali vivem e trabalham me mostrou uma foto já antiga ao lado de do ator José Wilker. Disse-me ela que a foto fora feita quando por ali gravaram um filme... Eu ainda não havia assistido “Bye Bye Brasil” , - produzido em de 1978, com direção de Cacá Diegues, - que é considerado por alguns como “o melhor” filme daquela década.

No filme, a “Caravana Rolidei”(sic), uma espécie de circo mambembe sobre rodas que se deslocava por todo Brasil (na verdade o Brasil pouco desenvolvido economicamente na época – e talvez ainda hoje) atrás de público, coisa cada vez mais difícil depois da chegada do entretenimento via TVs.
Lembro que a primeira vez que assisti este filme reconheci logo a cidade de Piranhas (vizinha a Entremontes), também em alagoas e na minha opinião, uma das mais quentes e pitorescas que já passei. Além da peculiar característica de ser uma cidade praticamente vertical - Quem já foi lá sabe o que estou falando.

Pois bem, esta é uma cidade onde no imaginário das pessoas ainda está de certa forma muito presente a relação com o cangaço, principalmente porque o grupo de Lampião foi morto logo alí do outro lado do rio, em Poço Redondo (Sergipe) na famosa (pra nós aqui de Sergipe) Gruta do Angico onde todos os anos celebraram uma missa, se não me engano no final de julho . É na escadaria da igreja de piranhas o cenário da famosa foto das cabeças cortadas dos cangaceiros. Hoje na cidade existe o museu do cangaço (recentemente reformado).
Não é só em Entremontes e Piranhas que encontramos histórias inusitadas e pitorescas como estas, na verdade na pouca e proveitosa vivencia que tive nas margens do São Francisco pude perceber a considerável quantidade de historias, mitos e expressões culturais das mais variadas que as cidades ribeirinhas possuem, principalmente neste perímetro, onde a existe o “contraste” entre a aridez do sertão e as águas doces do Rio São Francisco.
Neste perímetros em pouco tempo saímos de Sergipe para alagoas, Bahia ou Pernambuco, ali todos são um pouco de tudo, tem relações familiares , comerciais e sociais com todos estes estados e nem sempre a capital mais próxima e de referencia é a do seu estado.
Como por exemplo: quase 100% das crianças e adolescentes que vivem no povoado Volta do Moxotó em Pernambuco tem em seus registros que são baianas, isso porque o hospital (maternidade) mais próximo fica em Paulo Afonso (BA); e na cidade de Pão de Açúcar (AL) fica a 240 km de Maceió e a 180 km de Aracaju. Ou ainda,
Aliás, o município de Pão de Açúcar é curioso exemplo. De Aracaju tem vários ônibus que saem tanto da rodoviária nova quanto da velha no centro. As empresas são: coopetaju, Coopertalse e Vitoria.

O trajeto é o seguinte: Aracaju ate dores a pista esta muito boa, o problema é de dores em diante. Passando Gloria e por Monte Alegre, chegamos a um cruzamento já no território de poço redondo conhecido com o curioso nome de Vaca Serrada.
Se forem de carro uma dica é sair de Aracaju no sábado bem cedo, pra dar uma parda na feira de Gloria, sem duvida a maior e uma das melhores do estado.
Mas voltando ao assunto, de Vaca Serrada, que é pouco perceptível a quem anda a mais de 20km por hora, mas tudo bem, pega-se a direita. Pronto, a partir deste ponto começa a viagem.... é uma estrada de barro, ou piçarra como falamos em Sergipe. São apenas 32 km, mas, de acordo com as condições pode durar até duas horas de buracos e crateras intermináveis, que nem no rallye dos sertões ou no Paris Dacar deve ter coisa parecida. No caminho tem algumas casas isoladas, e uns dois ou três pequenos povoados, entre eles o Mocambo, de remanescentes quilombolas. Ao fundo nos deparamos com uma serie de serras de desenho muito bonito.
Sabemos que chegamos em Niterói, simplesmente quando a estrada acaba e dá de encontro com o Rio. Ali temos umas 5 budegas e umas 10 casas e nada mais. Se você for de carro não se preocupe, tem uma balsa 24h é só ligar (o telefone esta afixado na placa) caso for de ônibus tem sempre um barquinho que custa R$ 1,50 por pessoa na travessia que dura cerca de 10 minutos.
Chegando no “cais” de Pão de Açúcar, pode ligar para um dos moto taxistas (se precisar do numero mande um e-mail) ou pode ir andando mesmo ate a cidade.
Onde hospedar-se:
Lá você pode encontrar três pousadas, a mais confortável é a pousada do sol, mas tem ainda uma em frente a prefeitura com preços muito convidativos (a partir de R$ 6,00 o quarto simples sem café da manha) e ainda o hotel do viajante que fica de frente pro Rio São Francisco, com preços igualmente convidativos, sendo o serviço e os quartos bem simples.
Na minha ultima ida a Pão de Açúcar, conheci algumas pessoas muito interessantes, três delas já escreveram livros sobre a cidade e tem outros na gaveta a serem publicados. Nada mal para uma cidade de menos de 25mil habitantes.
Um deles é o Sr. Etevaldo Amorim que escreveu o livro Terra do Sol, Espelho da Lua (2004). Que conta um pouco da historia e seus personagens políticos, e pernonalidades da cidade. um livro bem completo e com ilustrações e uma pesquisa bem feita.
O outro o Sr. Hélio Fialho, no momento secretario de turismo do município um ativista da cultura que já fez levantamentos de depoimentos com a população sobre os mitos e historias do no Rio, e veiculava em um programa de radio que se não me engano se chamava Historias da meia noite ( e a trilha de abertura era aquela mesma de Zé Ramalho....). Além de ter escrito um livro “Gente do Meu tempo”, que fala sobre os personagens mais interessantes e pitorescos de seu tempo.

Também a grande figura Chiquinho que sabe tudo não apenas do local mas de tudo que você imaginar, desde os sítios arqueológicos até os últimos projetos culturais da cidade. É um cara muito tranqüilo e boa gente e é claro que também escreveu seu livro sobre a região o já esgotado, além de seu livro de poesias. Quem pretende passar por Pão de Açúcar e tem interesses sobre arqueologia, historia e a cultura local precisa procurar Chiquinho, é só perguntar. Todos o conhece.

Ele pode lhes levar pessoalmente até o povoado Ilha do Ferro, um local único, sem precedentes. Ali vivem pouco mais de 200 pessoas, quase todas as mulheres são artesãs, fazem um bordado que apesar de ter origem holandesa hoje em dia só existe ali, tem inclusive uma cooperativa a Art Ilha super organizada que é muito conceituada e de tão procurada para conseguir um produto delas tem que entrar em uma fila de espera, elas exportam para vários países além de venderem para o Brasil todo.
Mas não são apenas as mulheres que se dedicam ao artesanato não, ali existem muitos artesãos e é claro que alguns se destacam, só para citar alguns começo pelo Sr. Nivaldo, que é um dos últimos detentores da sabedoria de fazer a Canoa de Tolda, um patrimônio das águas do são Francisco, esta canoa já praticamente extinta (apenas 3 existem hoje e uma delas esta no museu do mar e outra pertence a ONG que leva o mesmo nome da canoa).
O biólogo Paulo César Werner, administrador do Museu do Mar, é outro fã de carteirinha da nau. Foi ele que, depois de rodar quase mil quilômetros de automóvel e embarcações pelo Baixo Chico e a afluentes, conseguiu adquirir o raro exemplar para o museu, hoje uma de suas atrações, nos conta Fábio Farias.

Ainda na reportagem de Fábio Farias encontramos o relato de Werner sobre a aquisição da Canoa de Tolda para o museu:
“Fui para o Baixo São Francisco atrás de uma embarcação tida como desaparecida, a canoa de tolda, que é de origem holandesa. Percorri cerca de mil quilômetros no Vale do São Francisco a procura dessa embarcação e consegui um exemplar para o museu. Contratei um prático do rio e navegamos dois dias com a canoa até Penedo para facilitar o acesso do caminhão. Foi meu presente de Natal de 2000. Navegar com uma canoa de tolda pelo rio São Francisco é uma coisa que, certamente, pouquíssimas pessoas fizeram nesses últimos tempos; foi um momento de verdadeiro deleite”, contou Werner.
Para Carlos Eduardo da Ong Canoa de Tolda: ela, a canoa de tolda, só existe no Brasil e é um modelo muito particular. Na verdade, as toldas eram embarcações enormes. “A nossa é pequena, tem apenas 16 metros de casco, 25 metros com o mastro, e perfeitamente adaptada para descer o rio, a favor do vento, com o pano aberto. Ela tem várias influências - holandesa, portuguesa, oriental, das colônias portuguesas em Macau. É a embarcação perfeita para o Baixo São Francisco”, acredita Carlos Eduardo.
Outra figura sui generis é o seu Fernando, uma pessoa fantástica, com uma imaginação artística latente produziu um variado acervo feito em madeiras encontradas nesta região, hoje suas peças se encontram nas galerias e acervos particulares mais importantes do país. Por motivo de saúde hoje em dia Seu Fernando coordena o trabalho dos netos, é um mestre deste trabalho que tem identidade própria, e alem da beleza e do forte teor identitario e artístico as obras ainda possuem um acabamento muito bom.

Seu Fernando que podemos ver na foto abaixo apesar de não saber ler nem escrever, tem um livro de cerca de 100 paginas, transcritas por amigos que ouvem suas historias e poesias fascinantes e passam para o papel. Este livro espera investimento para ser lançado e ele guarda a 7 chaves.
Ale de seu Fernando vocês podem visitar dezenas de artesãos que vivem por ali, que produzem obras pouco encontradas no nordeste e em todo Brasil, obras que não tem o clichê e a visão folclórica, são obras originais e muito criativas. Seu Gabriel por exemplo que faz (apenas sob encomenda) replicas perfeitas de todas as embarcações do São Francisco, as de hoje e as do passado. Petrônio, um artista jovem, mas que já tem peças na frança e são realmente de grande qualidade, sem repetição de formas, produzindo apenas peças originais.
Entre muito outros artistas artesãos. Bem, este é apenas um trecho do São Francisco, tem ainda muitos outros municípios que quando eu for me lembrando eu escrevo, como por exemplo, Volta do Moxotó, e as fascinantes historias dos trens que por ali passavam, mas isso é outra história.
Ivan Masafret (julho de 2008)

No filme, a “Caravana Rolidei”(sic), uma espécie de circo mambembe sobre rodas que se deslocava por todo Brasil (na verdade o Brasil pouco desenvolvido economicamente na época – e talvez ainda hoje) atrás de público, coisa cada vez mais difícil depois da chegada do entretenimento via TVs.
Lembro que a primeira vez que assisti este filme reconheci logo a cidade de Piranhas (vizinha a Entremontes), também em alagoas e na minha opinião, uma das mais quentes e pitorescas que já passei. Além da peculiar característica de ser uma cidade praticamente vertical - Quem já foi lá sabe o que estou falando.

Pois bem, esta é uma cidade onde no imaginário das pessoas ainda está de certa forma muito presente a relação com o cangaço, principalmente porque o grupo de Lampião foi morto logo alí do outro lado do rio, em Poço Redondo (Sergipe) na famosa (pra nós aqui de Sergipe) Gruta do Angico onde todos os anos celebraram uma missa, se não me engano no final de julho . É na escadaria da igreja de piranhas o cenário da famosa foto das cabeças cortadas dos cangaceiros. Hoje na cidade existe o museu do cangaço (recentemente reformado).
Não é só em Entremontes e Piranhas que encontramos histórias inusitadas e pitorescas como estas, na verdade na pouca e proveitosa vivencia que tive nas margens do São Francisco pude perceber a considerável quantidade de historias, mitos e expressões culturais das mais variadas que as cidades ribeirinhas possuem, principalmente neste perímetro, onde a existe o “contraste” entre a aridez do sertão e as águas doces do Rio São Francisco.Neste perímetros em pouco tempo saímos de Sergipe para alagoas, Bahia ou Pernambuco, ali todos são um pouco de tudo, tem relações familiares , comerciais e sociais com todos estes estados e nem sempre a capital mais próxima e de referencia é a do seu estado.
Como por exemplo: quase 100% das crianças e adolescentes que vivem no povoado Volta do Moxotó em Pernambuco tem em seus registros que são baianas, isso porque o hospital (maternidade) mais próximo fica em Paulo Afonso (BA); e na cidade de Pão de Açúcar (AL) fica a 240 km de Maceió e a 180 km de Aracaju. Ou ainda,
Aliás, o município de Pão de Açúcar é curioso exemplo. De Aracaju tem vários ônibus que saem tanto da rodoviária nova quanto da velha no centro. As empresas são: coopetaju, Coopertalse e Vitoria.

O trajeto é o seguinte: Aracaju ate dores a pista esta muito boa, o problema é de dores em diante. Passando Gloria e por Monte Alegre, chegamos a um cruzamento já no território de poço redondo conhecido com o curioso nome de Vaca Serrada.
Se forem de carro uma dica é sair de Aracaju no sábado bem cedo, pra dar uma parda na feira de Gloria, sem duvida a maior e uma das melhores do estado.
Mas voltando ao assunto, de Vaca Serrada, que é pouco perceptível a quem anda a mais de 20km por hora, mas tudo bem, pega-se a direita. Pronto, a partir deste ponto começa a viagem.... é uma estrada de barro, ou piçarra como falamos em Sergipe. São apenas 32 km, mas, de acordo com as condições pode durar até duas horas de buracos e crateras intermináveis, que nem no rallye dos sertões ou no Paris Dacar deve ter coisa parecida. No caminho tem algumas casas isoladas, e uns dois ou três pequenos povoados, entre eles o Mocambo, de remanescentes quilombolas. Ao fundo nos deparamos com uma serie de serras de desenho muito bonito.
Sabemos que chegamos em Niterói, simplesmente quando a estrada acaba e dá de encontro com o Rio. Ali temos umas 5 budegas e umas 10 casas e nada mais. Se você for de carro não se preocupe, tem uma balsa 24h é só ligar (o telefone esta afixado na placa) caso for de ônibus tem sempre um barquinho que custa R$ 1,50 por pessoa na travessia que dura cerca de 10 minutos.
Chegando no “cais” de Pão de Açúcar, pode ligar para um dos moto taxistas (se precisar do numero mande um e-mail) ou pode ir andando mesmo ate a cidade.
Onde hospedar-se:
Lá você pode encontrar três pousadas, a mais confortável é a pousada do sol, mas tem ainda uma em frente a prefeitura com preços muito convidativos (a partir de R$ 6,00 o quarto simples sem café da manha) e ainda o hotel do viajante que fica de frente pro Rio São Francisco, com preços igualmente convidativos, sendo o serviço e os quartos bem simples.
Na minha ultima ida a Pão de Açúcar, conheci algumas pessoas muito interessantes, três delas já escreveram livros sobre a cidade e tem outros na gaveta a serem publicados. Nada mal para uma cidade de menos de 25mil habitantes.
Um deles é o Sr. Etevaldo Amorim que escreveu o livro Terra do Sol, Espelho da Lua (2004). Que conta um pouco da historia e seus personagens políticos, e pernonalidades da cidade. um livro bem completo e com ilustrações e uma pesquisa bem feita.
O outro o Sr. Hélio Fialho, no momento secretario de turismo do município um ativista da cultura que já fez levantamentos de depoimentos com a população sobre os mitos e historias do no Rio, e veiculava em um programa de radio que se não me engano se chamava Historias da meia noite ( e a trilha de abertura era aquela mesma de Zé Ramalho....). Além de ter escrito um livro “Gente do Meu tempo”, que fala sobre os personagens mais interessantes e pitorescos de seu tempo.

Também a grande figura Chiquinho que sabe tudo não apenas do local mas de tudo que você imaginar, desde os sítios arqueológicos até os últimos projetos culturais da cidade. É um cara muito tranqüilo e boa gente e é claro que também escreveu seu livro sobre a região o já esgotado, além de seu livro de poesias. Quem pretende passar por Pão de Açúcar e tem interesses sobre arqueologia, historia e a cultura local precisa procurar Chiquinho, é só perguntar. Todos o conhece.

Ele pode lhes levar pessoalmente até o povoado Ilha do Ferro, um local único, sem precedentes. Ali vivem pouco mais de 200 pessoas, quase todas as mulheres são artesãs, fazem um bordado que apesar de ter origem holandesa hoje em dia só existe ali, tem inclusive uma cooperativa a Art Ilha super organizada que é muito conceituada e de tão procurada para conseguir um produto delas tem que entrar em uma fila de espera, elas exportam para vários países além de venderem para o Brasil todo.
Mas não são apenas as mulheres que se dedicam ao artesanato não, ali existem muitos artesãos e é claro que alguns se destacam, só para citar alguns começo pelo Sr. Nivaldo, que é um dos últimos detentores da sabedoria de fazer a Canoa de Tolda, um patrimônio das águas do são Francisco, esta canoa já praticamente extinta (apenas 3 existem hoje e uma delas esta no museu do mar e outra pertence a ONG que leva o mesmo nome da canoa).
O biólogo Paulo César Werner, administrador do Museu do Mar, é outro fã de carteirinha da nau. Foi ele que, depois de rodar quase mil quilômetros de automóvel e embarcações pelo Baixo Chico e a afluentes, conseguiu adquirir o raro exemplar para o museu, hoje uma de suas atrações, nos conta Fábio Farias.

Ainda na reportagem de Fábio Farias encontramos o relato de Werner sobre a aquisição da Canoa de Tolda para o museu:
“Fui para o Baixo São Francisco atrás de uma embarcação tida como desaparecida, a canoa de tolda, que é de origem holandesa. Percorri cerca de mil quilômetros no Vale do São Francisco a procura dessa embarcação e consegui um exemplar para o museu. Contratei um prático do rio e navegamos dois dias com a canoa até Penedo para facilitar o acesso do caminhão. Foi meu presente de Natal de 2000. Navegar com uma canoa de tolda pelo rio São Francisco é uma coisa que, certamente, pouquíssimas pessoas fizeram nesses últimos tempos; foi um momento de verdadeiro deleite”, contou Werner.
Para Carlos Eduardo da Ong Canoa de Tolda: ela, a canoa de tolda, só existe no Brasil e é um modelo muito particular. Na verdade, as toldas eram embarcações enormes. “A nossa é pequena, tem apenas 16 metros de casco, 25 metros com o mastro, e perfeitamente adaptada para descer o rio, a favor do vento, com o pano aberto. Ela tem várias influências - holandesa, portuguesa, oriental, das colônias portuguesas em Macau. É a embarcação perfeita para o Baixo São Francisco”, acredita Carlos Eduardo.
Outra figura sui generis é o seu Fernando, uma pessoa fantástica, com uma imaginação artística latente produziu um variado acervo feito em madeiras encontradas nesta região, hoje suas peças se encontram nas galerias e acervos particulares mais importantes do país. Por motivo de saúde hoje em dia Seu Fernando coordena o trabalho dos netos, é um mestre deste trabalho que tem identidade própria, e alem da beleza e do forte teor identitario e artístico as obras ainda possuem um acabamento muito bom.

Seu Fernando que podemos ver na foto abaixo apesar de não saber ler nem escrever, tem um livro de cerca de 100 paginas, transcritas por amigos que ouvem suas historias e poesias fascinantes e passam para o papel. Este livro espera investimento para ser lançado e ele guarda a 7 chaves.
Ale de seu Fernando vocês podem visitar dezenas de artesãos que vivem por ali, que produzem obras pouco encontradas no nordeste e em todo Brasil, obras que não tem o clichê e a visão folclórica, são obras originais e muito criativas. Seu Gabriel por exemplo que faz (apenas sob encomenda) replicas perfeitas de todas as embarcações do São Francisco, as de hoje e as do passado. Petrônio, um artista jovem, mas que já tem peças na frança e são realmente de grande qualidade, sem repetição de formas, produzindo apenas peças originais.
Entre muito outros artistas artesãos. Bem, este é apenas um trecho do São Francisco, tem ainda muitos outros municípios que quando eu for me lembrando eu escrevo, como por exemplo, Volta do Moxotó, e as fascinantes historias dos trens que por ali passavam, mas isso é outra história.
Ivan Masafret (julho de 2008)