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Mestres da Cultura Sergiana

Foto: Ivan Masafret (Poço Verde – 2008)

Enganam-se aqueles que pensam que Sergipe é um estado pequeno, é sim o menor da federação, no entanto considero como um estado do tamanho certo. Aqui em no Maximo três horas podemos ir de ônibus da capital para qualquer ponto, seja o extremo norte, sul ou oeste. Saímos do litoral e vamos ao sertão percebendo as diferenças da vegetação e do relevo pelo caminho. Tal como é a diversidade cultural aqui. Sabemos que por estar no nordeste, e ser um estado modesto na economia, Sergipe não se impôs culturalmente como Pernambuco e a Bahia, que também são estados riquíssimos na cultura de seu povo, já tão reconhecido e, portanto, conhecido. Diversos estudos, publicações, discos, vídeos documentários e etc... Nunca suficientes sabemos, mas Sergipe por outro lado, ou melhor, espremido alí entre os dois, ainda se encontra de certa forma inédito nas prateleiras das bibliotecas e videotecas do país e do mundo, cheio de expressões e saberes, não apenas os tradicionais, mas os inovadores. Temos também nossas estrelas, referencias de sabedorias únicas, que tentaremos mostrar aos poucos aqui, com um pouquinho das histórias e um retrato só pra dar um gostinho. Na verdade é um convite a todos, que conheçam a grandiosidade deste estado.

Está é a senhora,retratada no topo do texto, é Maria Filha de Jesus, um nome curioso sem duvida e uma longa vida que influenciou o modo de viver de dezenas de pessoas. Dona Maria com seus 95 anos, nasceu no povoado de “Cruz da Princesa”, município de Tobias Barreto em Sergipe, a quantidade de filhos que teve e de netos que tem não a distinguiria de nenhuma sertaneja que tenha vivido até pelo menos os setenta anos, o que a faz diferente de tantas outras “marias” é a sua trajetória, seu saber fazer e ensinar.

Dona Maria Filha de Jesus aprendeu a tear ainda bem jovem e manualmente foi produzindo seu trabalho, fruto de uma carga cultural que nem ela sabe a origem, foi aprendendo a essência e remodelando de acordo com a vida, como se cada fio fosse um dia que em suas mãos se transformavam em uma grande rede.

Já uma senhora, em 1990 vai morar em outro município sergipano, Poço Verde, no povoado Amargosa. Ali logo fez amigas, e o ofício do artesanato passou a ensinar a elas, no início eram 10, mas na terra do feijão passaram a ser conhecida também como terra da tecelagem em Sergipe. Logo conseguiram uma sede modesta para trabalharem em grupo, esta sede de acordo com o reconhecimento do trabalho do grupo foi crescendo e em 2001 já estava completamente estruturado, sendo referencia do tear manual no Brasil, chamando atenção de ONGs nacionais que auxiliaram com capacitações e maquinários.

Hoje o grupo é uma associação organizada, chamada “Tecendo o Sertão” que está lá em Poço Verde, pra quem quiser ir ver, bem na beira da estrada, estão eles e elas em seus teares fazendo redes, mantas, almofadas, jogo americano e até roupas tudo com excelente acabamento e preço convidativo, eu mesmo tenho uma rede feita por dona Maria Filha de Jesus, que ainda hoje trabalha todos os dias, se distraindo, matando o tempo e contando histórias de sua juventude.

Ivan Masafret.

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A ARTE PÚBLICA EM ARACAJU: SEUS ESPAÇOS E SÍMBOLOS




Na capital sergipana, Aracaju, a presença da arte nas ruas demonstra a diversidade simbólica, estilística e técnica que convive com seus cidadãos praticamente desde a fundação desta capital, em 1855. A relação das pessoas que transitam em Aracaju com seus símbolos constrói um imaginário simbólico da cidade e do Estado, sob diversos aspectos. Para tanto, explicitaremos neste trabalho, o contexto da arte pública gerenciada pelo poder público, ou seja, toda aquela intervenção artística encomendada pela prefeitura ou governo do Estado. Tais obras ocupam os mais diversos espaços na cidade e foram aqui adequadas em três importantes centralidades e em 3 períodos distintos: 1) 1855 a 1920; 2) 1920 a 1970 e 3) 1970 até hoje. Enquanto as centralidades são: a do centro histórico de Aracaju em suas três praças (pç. Olimpio Campos, pç. Almirante Barroso e pç. Fausto Cardoso), a dos terminais rodoviários de integração (rodoviária velha, rodoviária nova e terminal da Atalaia) e por fim a centralidade da orla de Atalaia. Cada uma dessas centralidades está relacionada às representações simbólicas do seu tempo e espaço social. Um dos marcos recentes do perfil da arte pública deste ultimo período incorporando novos conceitos e possibilidades foi o elevado Jornalista Orlando Dantas, tendo sido aproveitado na década de 1990 como espaço para painéis artísticos, que perduram até hoje com sua pinturas cheias de representações simbólicas consideradas referências características do estado de Sergipe.

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ENTRE A ARTE E O ARTESANATO: A ESCULTURA POPULAR DE SERGIPE
















No Estado de Sergipe, encontramos três artesãos que são referências ao se tratar da produção de esculturas. Véio, Mestre Tonho e Beto Pezão possuem características específicas, tanto no que se refere ao fazer artesanal, quanto no que diz respeito à forma com que cada um pensa seu trabalho, sua obra e seu meio sócio-cultural. No entanto, encontramos também semelhanças entre eles, que não se demonstram tão evidentes. Para perceber tais aspectos necessitamos de uma visão abrangente dos elementos que influenciam o trabalho de cada um destes artesãos. A “tradição” que se insere na vida e trabalho destes artesãos é um ponto crucial; contudo, faz-se necessário também a percepção que o próprio artesão tem a respeito dos conceitos arte e artesanato. E ainda, a produção do trabalho artesanal é essencialmente voltada para a comercialização, ou seja, o escultor produz com o fim de obter lucro. Neste ponto é imprescindível o estudo de tal fator: a influencia da comercialização, na obra e na vida destes artesãos. Percebemos ai, que existe uma confluência de todos os pontos estudados, ou seja, a tradição e a percepção da arte e do artesanato estão integradas juntamente com a questão da comercialização das obras, as influenciando, nos mais diversos aspectos.